CRIANÇA COM FEBRE
UM SINTOMA, NÃO UMA DOENÇA
O corpo humano possui um "regulador" interno da temperatura localizado numa região do cérebro chamado hipotálamo, que mantém o corpo a cerca de 37ºC. Em determinadas situações como infecção, outras doenças ou administração de vacinas, o hipotálamo deixa de regular a temperatura do corpo surgindo febre.
A febre é sinal de alarme que obriga os pais a vigiar a criança e a procurar auxílio médico quando necessário.
SERÁ FEBRE?
Para saber se a criança tem febre não basta pôr a mão na testa. Importa saber qual o valor da temperatura.
Para isso existem os seguintes termómetros:
Tradicionais - rigorosos mas lentos, estão a cair em desuso por serem de vidro e conterem mercúrio; antes de cada medição é necessário confirmar que marcam a temperatura corporal normal (36,5º-37ºC)
Digitais - são rápidos, rigorosos e fáceis de ler.
Infravermelhos – medem, em segundos, a temperatura no ouvido ou na zona da têmpora; é importante seguir a técnica para obter o valor correcto de temperatura.
Descartáveis – aplicam-se no corpo ( testa ou axila) e o valor de febre é indicado por alteração de cor; deitam-se fora ao fim de algumas aplicações ou horas de utilização.
Deve-se sempre seguir as indicações fornecidas por cada fabricante, e mantê-los limpos para não originar erros de leitura.
Os termómetros podem ser utilizados de diferentes formas:
Medição rectal – coloca-se a criança de barriga para baixo no colo ou numa mesa, lubrifica-se a extremidade do termómetro e insere-se no ânus, no máximo 2,5 cm, mantendo-o seguro entre os dedos da mão. É a técnica mais adequada para bebés até aos 3 meses.
Medição oral – coloca-se a ponta do termómetro debaixo da língua e pede-se à criança que feche a boca, É importante que a criança permaneça relaxada, sem falar e seja capaz de respirar pelo nariz.
Medição axilar – o termómetro coloca-se na axila, devendo tocar a pele e não o vestuário.
Medição auricular – aplica-se a capa protectora no termómetro e insere-se no ouvido da criança na direcção do tímpano.
Medição na testa ou têmpora – a temperatura é determinada a partir do calor emitido na zona da testa onde se localiza a artéria temporal.
A FEBRE É UM SINAL DE ALERTA MUITO FREQUENTE NAS CRIANÇAS, IMPORTA OS PAIS SABEREM LIDAR DE FORMA ADEQUADA COM ESTE SINTOMA TÃO COMUM.
TÉCNICA FEBRE
(valor da temperatura)
Rectal a partir de 38,0ºC
Oral a partir de 37,5ºC
Axilar a partir de 37,2ºC
Tímpano a partir de 38,0ºC
Testa ou têmpora a partir de 38,0ºC
E AGORA?
Se o comportamento e o nível de actividade da criança se mantém, com interesse pelas brincadeiras, está alerta e reactiva, come e bebe normalmente, e a pele apresenta-se com coloração normal permaneça atento e vigilante.
Se tiver indicação médica para tomar antipiréticos (diminuem a febre) cumpra o plano de tratamento até ao fim. As doses são em função do peso e devem ser medidas com rigor; os horários e os intervalos entre as tomas devem ser cumpridos. A aspirina ou seus derivados (salicilatos) não devem ser usados em crianças até aos 12 anos, pelas reacções graves que podem causar.
É importante que a criança beba bastantes líquidos, use roupa leve e repouse num ambiente com temperatura amena. Um banho com água à temperatura ligeiramente inferior à do corpo também ajuda a baixar a febre. A água fria e fricções com álcool não devem ser usadas pelo choque de temperatura que podem provocar e por dificultarem a eliminação de calor pelo corpo.
LEVAR AO MÉDICO?
Há situações que requerem uma intervenção médica imediata, pois a febre pode esconder um problema de saúde grave. É o que deve fazer se:
- A temperatura ultrapassar os 38ºC
- For um bebé com menos de 3 meses
- Ao fim de 3 dias, a febre não baixar ou até subir
- For acompanhada de um ou vários dos seguintes sintomas: sonolência, fraqueza, náuseas, vómitos, diarreia, dificuldade em engolir ou falta de apetite, dor de ouvidos, rigidez no pescoço, irritabilidade ou apatia, dificuldades respiratórias, palidez, manchas ou borbulhas na pele, dores nas articulações.
A subida muito rápida da temperatura pode dar origem a convulsões, sobretudo entre os seis meses e os cinco anos: o corpo da criança treme com movimentos abruptos que podem envolver todo o corpo ou apenas um dos lados.
Para evitar que se magoe, deite-a numa superfície plana, de lado, com uma almofada debaixo da cabeça, e retire de perto todos os objectos. Não se devem colocar objectos na boca, nem dar de beber ou comer: a criança corre o risco de sufocar.
Nestas situações há que levar a criança para avaliação médica de modo a identificar outras causas além da febre.
COM A AJUDA DO SEU FARMACÊUTICO
Uma criança com febre deixa sempre os pais preocupados, por mais experientes que sejam.
Mas o farmacêutico pode informar sobre dispositivos e técnicas de medição de febre e quanto à utilização correcta e segura dos medicamentos.
O farmacêutico está ainda apto a orientar os pais caso seja necessário recorrer ao médico.
