PRIMEIRO, SURGE A TOSSE MATINAL, QUE SE TORNA INSISTENTE E É ACOMPANHADA DE EXPECTORAÇÃO.
MAIS TARDE, COMEÇA A SENTIR-SE FALTA DE AR. ESTES SÃO SINTOMAS DA DOENÇA PULMONAR OBSTRUTIVA CRÓNICA.
UMA DOENÇA QUE COMPROMETE A FUNÇÃO RESPIRATÓRIA E QUE TEM NO TABACO O PRINCIPAL CULPADO. PORÉM, É POSSÍVEL RESPIRAR MELHOR.
A DPOC é uma doença silenciosa, porque os sintomas se instalam ao longo dos anos, de uma forma discreta mas progressiva. E, muitas vezes, os doentes só procuram ajuda quando os sintomas já interferem nas actividades diárias mais básicas.
Em todo o mundo, calcula-se que haja cerca de 600 milhões de doentes. Deste, a Organização Mundial de Saúde calcula que cerca de três milhões morrem todos os anos.
Em Portugal, estima-se que a DPOC afecte mais de 500 mil pessoas. Será que é uma delas?
PULMÕES EM RISCO
A DPOC é, como o nome indica, uma Doença Pulmonar.É obstrutiva porque as vias respiratórias estreitam e inflamam, dificultando a passagem de ar.E é Crónica porque se prolonga no tempo.
Caracteriza-se por um défice da função respiratória, causado pelo efeito prolongado da inalação de substâncias agressivas para as vias aéreas e para os pulmões.
Em consequência dessa agressão, as paredes dos brônquios ficam inflamadas, inchando e deixando pouco espaço livre para a passagem de ar: a quantidade de ar que chega aos pulmões diminui, podendo ser insuficiente para a oxigenação do organismo.
Respirar torna-se, assim mais difícil, o que explica que a falta de ar seja um dos principais sintomas da DPOC. A tosse é outro:persistente, faz-se sentir logo ao acordar e é quase sempre acompanhada de muco, cuja produção aumenta e contribui para obstruir ainda mais as vias aéreas.
A DPOC contempla duas situações diversas: a bronquite crónica, em que há inflamação como produção de expectoração e o enfisema, em que são afectados os alvéolos, o pulmão vai perdendo a elasticidade e as vias aéreas vizinhas estreitam-se.
A DPOC afecta sobretudo fumadores ou ex-fumadores com mais de 40 anos.
A CULPA É DO TABACO...
O tabaco não é o único culpado, mas é o principal:os fumadores e ex-fumadores são as principais vítimas da DPOC, sobretudo quando tem um longo historial de tabagismo. A exposição passiva ao fumo do tabaco também é um factor de risco.
Mas há outras causas:
- a exposição ocupacional intensa e prolongada a poeiras e químicos(vapores, substâncias irritantes e gases) - a poluição atmosférica - infecções respiratórias na infância - deficiência da proteína alfa 1-antitripsina
ATENÇÃO À TOSSE!
A tosse é dos primeiros sinais de que algo vai mal no sistema respiratório.Mas é negligenciada, sobretudo pelos fumadores, que se habituam a senti-la logo de manhã.É o chamado "catarro do fumador", cuja presença deve alertar para a possibilidade de uma doença pulmonar.
Os sintomas da DPOC instalam-se lenta e progressivamente, ao mesmo ritmo da doença.Arrastam-se no tempo e os doentes não os valorizam.
SE JÁ TEM DPOC...
Se já lhe foi diagnosticada DPOC, o primeiro passo é deixar de fumar.Já não impede a doença, mas vai sempre a tempo de impedir que se agrave.
Já lhe foram decerto prescritos medicamentos:saiba que é fundamental respeitar a terapêutica - a DPOC não se cura, mas é possível atenuar os sintomas, reduzir a frequência e a gravidade das crises e melhorar o estado geral da saúde.
Os medicamentos usados no tratamento da DPOC dividem-se em duas categorias principais:
BRONCODILATADORES - são os fármacos de primeira escolha, usados para aliviar e controlar os sintomas.
CORTICOESTERÓIDES INALADOS - estão indicados nos doentes com um quadro moderado a grave, com crises frequentes e com diminuição acentuada da qualidade de vida.
É por via inalatória que estes fármacos são administrados, assim,actuam directamente sobre os brônquios, requerendo uma dose menor e tendo menos efeito secundários. Contudo, para que sejam eficazes é preciso que o inalador seja usado correctamente: se tem dúvidas, peça ajuda ao seu farmacêutico.
Os doentes com insuficiência respiratória podem ainda ter necessidade de receber oxigénio. É igualmente recomendada a vacina anti-gripal, na medida em que os protege das infecções respiratórias mais comuns.
Viver melhor apesar da DPOC passa também por adoptar alguns comportamentos saudáveis: mantenha-se em boa forma física; aprenda exercícios respiratórios; evite espaços com fumos, gases e poeiras; não faça esforços e pare assim que sentir dificuldade em respirar; pratique uma alimentação equilibrada e controle o peso.
COM A AJUDA DO SEU FARMACÊUTICO
Se já é doente de DPOC, pode contar com o seu farmacêutico para esclarecer dúvidas e prestar aconselhamento sobre a terapêutica prescrita, a doença, os factores de risco e as medidas de prevenção.
O seu farmacêutico pode ainda ajudá-lo a utilizar os inaladores da forma mais correcta.
NÃO DEIXE A SAÚDE DOS SEUS PULMÕES EM MÃOS ALHEIAS!